Por: Raquel de Pinho / Unimed Sul Capixaba

Tem algo de mágico e transformador em ver uma ave ganhar de volta a liberdade. Aquele som de asas que se espalha no mato e anuncia a independência. A natureza agradece! 

Desde 2008, mais de três mil animais silvestres, entre aves e outros bichos, já foram devolvidos à Mata Atlântica em uma área protegida do Sul do Espírito Santo, numa ação contínua que une cuidado, ciência e amor pela biodiversidade. E que tem a Unimed Sul Capixaba como uma das suas maiores aliadas. 

A última soltura aconteceu em agosto de 2024. Foram 111 vidas libertas: 108 aves e três mamíferos, todos nativos, todos recuperados após situações de resgate, maus-tratos ou tráfico. O transporte dos bichos foi feito com todo o cuidado: saíram de Aracruz, onde ficam sob os cuidados do projeto Cereias, até uma área preservada mantida com apoio da Unimed Sul Capixaba, cujo endereço é mantido em sigilo absoluto. Tudo para proteger os animais da ameaça de caçadores e garantir que a volta ao lar seja segura e definitiva. 

A cena da soltura, para quem acompanha, é um mix de adrenalina e paz. Tem gente que chora, tem quem vibre como se estivesse num estádio. E faz sentido, é uma cena de regeneração pura. O tipo de ação que conecta quem vê com um futuro mais saudável para o planeta, para os bichos e para a gente também. Coleiros, maritacas, ararinhas, papagaios e tantos outros voltam a ocupar seu espaço no ecossistema, contribuindo com o equilíbrio natural da região. 

Imagem de um viveiro localizado na RRPN Mata da Serra. Mostra o interior de viveiro rústico construído com madeira marrom escura, tela metálica e cobertura ondulada, abrigando três papagaios de plumagem verde com detalhes coloridos. As aves estão distribuídas em diferentes níveis do recinto, em poleiros naturais, enquanto ao fundo a vegetação exuberante é visível através das telas.
RRPN Mata da Serra. Foto: Divulgação.

E, nesse gesto, lembram que regenerar é mais do que plantar árvores. É também desfazer o que foi errado, é devolver o que nunca deveria ter sido tirado. Essa história não acontece sozinha. A operação envolve veterinários, biólogos, voluntários e técnicos do Ibama, todos comprometidos com a reabilitação desses animais. E tem o apoio direto da Unimed Sul Capixaba, que banca a preservação da área e reforça, com atitude, sua aposta em ações ambientais de impacto real. 

“Nosso compromisso vai além da saúde das pessoas. Ele alcança também a saúde do planeta. Regenerar é uma escolha diária, e apoiar esse projeto é uma forma de fazer parte da solução”, comenta Bruno Beber Machado, diretor vice-presidente da Unimed Sul Capixaba

Em 2025 o projeto continua firme e forte. E que bom que é assim. Em tempos em que o mundo parece querer correr, respirar e resistir, ver um animal silvestre voltar ao seu lugar de origem não é só bonito. É urgente. É regenerador. É cinema da vida real.

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Graças a um trabalho que começou em 2008, capitaneado pelos irmãos ambientalistas João Luiz Madureira e o médico pediatra Luiz Renato Madoreira, fundadores da ONG Caminhadas e Trilhas, já são mais de três mil pássaros que voltaram à vida livre na natureza. Luiz Renato segue firme nesse propósito: os animais viajam mais de sete horas até a RPPN Mata da Serra, em Vargem Alta, onde ganham a chance de renascer em voo. 

Médico pediatra e amante da natureza, Luiz Renato explica que todo esse trajeto sai do Projeto Cereias, em Aracruz, referência no cuidado de animais apreendidos ou entregues voluntariamente. “A gente lança esses bichos num lugar que é quase sagrado: é longe, é seguro, e é deles”, diz. “A maioria chega e alça voo imediato; outras, mais fragilizadas, têm descanso e reidratação nos viveiros, e depois partem livres. É gratificante ver cada asa rebatendo em direção ao céu”. 

A RPPN Mata da Serra, onde acontece a soltura, é uma área de Mata Atlântica preservada, mas pouquíssimo conhecida. Tudo é mantido em sigilo para proteger as espécies de caçadores e garantir que o recomeço seja de verdade. Em dezembro de 2023, por exemplo, foram soltos 148 pássaros, entre eles 22 papagaios-chauá, além de tico-ticos, coleirinhos e sabiás-laranjeira. Cada espécie retorna a um fragmento de floresta que, mesmo dentro da reserva, precisa de gestos como esse para sobreviver. 

“Regenerar é devolver o que foi retirado, é restabelecer harmonia. E cada soltura é um fragmento de esperança. A fauna se recupera aos poucos, e a comunidade ao redor aprende a reconhecer o valor de ter vida ali pertinho, vivendo livre”, diz Luiz Renato. 

No final das contas, aquela sensação de ver um pássaro levantando voo na Mata da Serra é sobre respirar fundo, acreditar que a gente precisa, e pode, resgatar o que foi danificado. E, de quebra, descobrir que regenerar pode ser a melhor trilha que a gente pode escolher trilhar junto com o planeta.

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Peça publicitária vertical da Unimed Sul Capixaba com fundo bege, título verde "CUIDAR É O QUE NOS MOVE" e subtítulo sobre compromisso além das paredes hospitalares. Composição central mostra uma profissional de saúde de jaleco branco acompanhada por quatro pessoas representando diferentes atividades: aventura/natureza (rapaz com mochila), educação (menina de óculos), esportes (menino com bola) e música (menino com violino e notas musicais). Legendas identificam projetos sociais da cooperativa: ONG Caminhadeira e Trilhas, Projeto Viver, Projeto Casa Verde e Projeto Nossa Criança. Texto na base destaca compromisso com sustentabilidade, educação e meio ambiente, acompanhado do logo Unimed Sul Capixaba em verde no canto inferior direito.