por: Anny Giacomin

A Mata Atlântica esconde em sua exuberante biodiversidade verdadeiros tesouros gastronômicos que a maioria dos brasileiros nem sequer conhece. Ingredientes silvestres únicos como guabiroba gigante, indaiá, brejaúva, sapucaia, araçaúna, uvaia, jaracatiá e nêspera possuem um potencial extraordinário para surpreender nosso paladar, oferecendo sabores e aromas únicos que podem transformar completamente nossa experiência culinária.

O chef de cozinha Ricardo Silva e o pesquisador Adenilso Panzin, o Adê, (re)descobriram essa riqueza gastronômica escondida no bioma e começaram a inovar, desenvolvendo pratos exóticos que revelam o verdadeiro potencial desses ingredientes silvestres. Eles também se dedicam à pesquisa de ingredientes nativos e à promoção de uma gastronomia sustentável, por meio do projeto Gastronomia Mata Atlântica, realizado em parceria com a Reserva Ambiental Águia Branca. 

Fotografia gastronômica horizontal de tábua rústica circular de madeira repleta de comidas típicas da mata atlântica como castanhas, ramos de ervas verdes aromáticas. Segundo plano desfocado mostra travessas adicionais com outros tipos de comida. Cenário ao ar livre banhado por luz dourada quente, com fundo desfocado criando bokeh natural.
Foto: Divulgação / Chef Ricardo Silva

Quem já teve a oportunidade de experimentar essas criações relata que, apesar da inicial estranheza que esses nomes podem causar, os sabores e aromas proporcionados são verdadeiramente especiais e surpreendentes. Vai dizer que você não ficaria instigado a provar um sorvete de guabiroba, por exemplo?

Essa diversidade alimentar da Mata Atlântica representa apenas uma das muitas facetas da importância deste bioma, que vai muito além de seu papel fundamental na regulação do clima e proteção do solo. É uma fonte inesgotável de descobertas que podem revolucionar nossa relação com a gastronomia e nos conectar de forma mais profunda com as riquezas naturais do nosso país.

Será que dentro das nossas matas descobriremos uma nova gastronomia capixaba?

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Modo de preparo:

Abandone o convencional. “A partir dos temperos, o aroma muda, a cor muda. Trazemos sabores que as pessoas não experimentaram”, revela o chef Ricardo Silva, com 22 anos de gastronomia.

Ingredientes:

  • Guabiroba gigante;
  • Castanhas nativas: indaiá, brejaúva, sapucaia;
  • Noz moscada nativa da Mata Atlântica;
  • Palmito; 
  • Frutas sazonais: araçaúna, uvaia, jaracatiá, nêspera;
  • Pimentas não catalogadas com “cheiro de pimenta-do-reino, mas sem ardência”.

Dica do chef!

“Nossa intenção é trazer esses sabores, aguçar a curiosidade e proporcionar uma transformação da visão das pessoas: comer melhor, se alimentar melhor, saber que existe comida boa dentro da mata. Nosso bioma é muito rico. São produtos orgânicos, mas sazonais. Então precisamos trabalhá-los com consciência e de forma sustentável”, explica o chef Ricardo Silva.

Tábua rústica de madeira repleta de alimentos tradicionais da mata atlântica dispostos abundantemente: pães artesanais variados, diversos tipos de castanhas dispostos entre frutas e temperos, prato branco ao fundo compondo a imagem. Arranjo floral rústico vermelho no canto superior esquerdo adiciona elemento celebrativo.
Foto: Divulgação / Chef Ricardo Silva