Ilustrações: Giulliano Kenzo | Roteiro: Ricardo Aiolfi | Adaptação em texto: Anny Giacomin

Nossa história em quadrinhos se inicia com um cenário alaranjado e quente, dominado por tons de vermelho e laranja que transmitem a sensação de calor extremo. No topo da página, vemos o título “Luas de Verão” em letras azuis sobre um fundo amarelo intenso, com ondulações que simulam o calor saindo de um ventilador. Há um cavalo em cima de um telhado de casa, e na televisão passa a notícia de que “o cavalo caramelo acaba de ser resgatado no Rio Grande do Sul, onde uma série de chuvas devastou o estado na última semana”.

Ainda na TV, seguem as notícias: “Mais um dia de calor intenso! 42 graus e sem previsão de chuva nos próximos dias”. “E quem não puder aproveitar o sol na praia, o jeito é investir em ar-condicionado para fugir desse calor”. Enquanto assiste à televisão, uma ema branca de bico amarelo está esparramada no sofá, em frente a um ventilador, claramente sofrendo com o calor. Ela fala: “Ah, claro! Porque todo mundo tem ar-condicionado em casa…”

A perspectiva muda para uma vista aérea em tons de amarelo vibrante, mostrando um cenário urbano com várias construções. Vemos prédios com janelas em arco, uma loja com a placa “MERCEARIA” bem visível, e ruas que se estendem pela paisagem que não possui árvores.
No centro da cena, há um transformador de energia elétrica com três isoladores no topo, identificado por uma setinha com a palavra “Transformador de energia”. Do transformador sai uma grande nuvem de “BUM” escrito em branco, indicando uma explosão ou pane no sistema elétrico. A imagem do ventilador funcionando é substituída por um ventilador sem as ondas do vento. A ema aparece novamente no canto inferior direito, observando a situação e comentando: “Só me faltava essa… No calor e no escuro? Não tem asinha que aguente abanar tanto…”.

Então, percebe-se uma mudança dramática na paleta de cores, dominada por azuis profundos e escuros que contrastam com elementos em amarelo e laranja vibrantes, criando uma atmosfera sem luz. A ema aparece em três momentos subsequentes. No primeiro, ela está irritada esparramada no sofá. O calor é tanto que até o balão da fala dela está derretendo enquanto ela diz: “Ah, mas eu não vou morrer de calor em casa, não!”
Pensativa, ela ainda está dentro de casa, mas parece que ela teve uma ideia. Depois, a ema, vestida com um cropped vermelho, carregando uma bolsa ecológica amarela, cheia de atitude, caminha para sair de casa dizendo: “Bora dar close na rua, sair dessa airfryer e ver um filme!“.Já na rua, a ema encontra o local perfeito e ratifica isso: “Aqui tá perfeito!”, enquanto faz, com as mãos, uma moldura em volta dos olhos para realmente se certificar de que o que planejava daria certo. Ela dá um click em um projetor que está sobre um tripé e agradece: “Obrigada, Miawmart, por esse projetor sem fio”.

A cena se expande para uma vista panorâmica noturna em tons de azul profundo. Vemos um ambiente urbano com arquitetura simples – casas com janelas em arco e uma estrutura que parece ser uma pequena praça ou área comunitária.
O elemento central desta cena é uma grande tela ou parede onde está sendo projetado um filme, indicado pela presença do projetor, exibindo o texto “Rio das Lágrimas Secas” em letras cursivas elegantes, sugerindo o título do filme sendo exibido, um filme de Saskia Sá. (que inclusive existe e está disponível clicando aqui).
Várias pessoas (representadas por silhuetas vermelhas) estão reunidas assistindo à projeção – uma criança na janela, um pai e uma filha, uma senhora chegando ao lado de uma cadeira de praia. O ambiente transmite uma sensação de comunidade e de solução criativa para o problema do calor – as pessoas saíram de suas casas quentes para se reunir ao ar livre durante a noite mais fresca, aproveitando o entretenimento coletivo.

Na mercearia, vemos que a história retorna aos tons quentes de laranja e vermelho, indicando que o calor continua e já está de dia. A ema está comprando algo e quando estava para pagar conversa com um homem no caixa. O homem diz: “Ontem à noite, você encheu a praça, hein!? Vamo repetir daqui uns dias?” E continua: “To pensando em passar uma tinta no muro, botar uma pipoquinha… o povo se encontra e aproveito pra movimentar isso aqui”. Enquanto isso, no balcão da padaria, duas mulheres estão esperando os pães e conversam. A que veste calça branca e blusa amarela pede: “me vê 2 pães de sal!?”, e a outra, que veste um macacão vermelho, comenta: “Ei, amiga! Que filme emocionante! Deu saudade de quando a gente nadava no rio daqui, enquanto vovô pescava. Corria muita água, limpinha…”. Elas são observadas por um vendedor, que usa boné e avental e tem bigode.

A narrativa avança com o texto “Alguns dias depois” em destaque.
A cena se expande para mostrar uma vista aérea da mesma área da mercearia, agora com muitas pessoas (representadas por pequenas silhuetas azuis) se reunindo. Há cadeiras na praça e uma projeção na parede da mercearia. Há pessoas conversando em diversos pontos da praça, nas ruas. Crianças jogando bola, gente passeando com seus animais de estimação. Um senhor varre a praça, enquanto uma menina compra pipoca. É possível ver até uma rede pendurada na sombra de uma árvore.
Vários personagens fazem comentários sobre a situação:
“O coronel desmatou tudo lá pra cima. Desce tanta terra pra dentro do rio que tá ficando cada vez mais raso…”, diz um homem de cabelo escuro e camiseta regata.
“A casa dele não tem ligação de esgoto nem fossa ecológica também, né?”.
“Pior que ele queria colocar sombrinha nos postes pra resfriar o bairro. Me ajuda, né? Por que não replanta as árvores?”, pergunta uma mulher, colocando a mão na cabeça.Uma resposta otimista surge: “A gente limpou tudo, plantou árvore… Mas todo mundo tem que colaborar!”. Por fim, alguém diz: “Vamos, o filme vai começar!”.

A ema, então, empolgada ouvindo esses comentários, em um fundo branco com as expressões marcadas, tem uma ideia: “Todo mundo tem que colaborar…” “Todo mundo pode colaborar!”. E então, ela crava: “acho que tive uma ideia..”. Uma lâmpada amarela aparece ao lado dela, simbolizando uma ideia brilhante, seguida de um PLAFT e ela colando na parede um cartaz de divulgação da I Oficina de Edição de Vídeo da Ema.
Em três painéis sequenciais sobre fundo laranja vibrante, vemos o desenvolvimento prático da ideia. Primeiro, a ema segura um dispositivo que parece ser um smartphone ou tablet, explicando: “Edição não é difícil. Essa aqui é a linha do tempo, onde você faz a montagem do filme…“. Na tela aparece um aplicativo, o Capcat, com imagens sendo editadas. E a ema diz: “Tenta fazer assim.”
Depois, aparece uma mão segurando um pendrive, escrito Workshop Ema, com uma frase pendurada: “Para adiar o fim do mundo é preciso continuar contando histórias”. E a referência “já dizia Krenak”. Então, alguém declara: “Pronto!”. Por fim, a ema recebe o pendrive de duas crianças, quando uma delas pergunta: “A gente pode exibir na praça?” e o outro complementa, entusiasmado: “Agora que ela tá sempre movimentada, nosso filme vai fazer o maior sucesso!”.

O cenário muda para uma impressionante vista aérea noturna em tons de azul profundo e vermelho. O cenário mostra toda a área urbana que vimos anteriormente, incluindo a mercearia e as construções circundantes, porém agora é possível ver árvores plantadas e o próprio envolvimento da comunidade com aquele espaço.
O que torna esta cena especial é a multidão massiva de pessoas representadas por pequenas silhuetas vermelhas espalhadas por toda a praça e ruas adjacentes. O som dos aplausos é representado por múltiplos “CLAP” espalhados pela cena, criando uma sensação sonora visual de aprovação coletiva. Todos estão vendo a projeção na mercearia.
Alguém comenta: “Amanhã vamos aprender a voar com a ema!” e foca na carinha da ema, muito satisfeita com o sucesso do evento.Em um painel retangular com bordas brancas sobre o fundo azul, vemos o momento de triunfo: a ema está posicionada centralmente, de braços completamente abertos em gesto de celebração e vitória. Sua expressão é de pura alegria e realização. Abaixo dela, em letras brancas maiúsculas e em estilo cinematográfico, aparece escrito “ABSOLUTE CINEMA”, indicando que sua iniciativa amadureceu para algo verdadeiramente significativo e que fez diferença na vida daquela comunidade.