homem jovem indígena com pele morena, cabelos pretos curtos em corte contemporâneo, franja, apresentando pinturas faciais tradicionais em pigmento preto formando linhas horizontais simétricas nas bochechas e linha vertical do lábio ao queixo. Usa colar cerimonial multicamadas de contas coloridas alternadas (vermelho, amarelo, preto) sobre camiseta clara, com expressão neutra serena e olhar direto para câmera, em postura frontal centralizada contra parede clara.
Dois jovens indígenas em ambiente de floresta, posicionados em formação escalonada - primeiro plano à direita e segundo ao fundo à esquerda. Ambos apresentam pinturas faciais pretas em linhas horizontais paralelas nas bochechas, usam regatas cinza combinadas com múltiplos colares tradicionais de sementes/contas pretas e elementos naturais (incluindo dentes de animais), braceletes coloridos, e o jovem ao fundo usa bandana bege na testa. O jovem à frente tem postura ereta com braços cruzados e expressões faciais sérias.
Retrato com fundo neutro claro de jovem indígena masculino de pele morena, cabelos pretos em corte contemporâneo (laterais curtas, topo volumoso), cavanhaque discreto, usando elaborado cocar cerimonial de plumas que envolve pescoço e ombros de cor verde e amarelo. Pequeno penacho vermelho projeta-se verticalmente no topo da cabeça. Veste camiseta rosa.

Por: Luã Quintão

Os filmes, segundo o cineasta Tkaûê, não podem fazer tudo pela revitalização da língua, mas, somados a músicas, danças e boas leituras produzidas pelos povos indígenas, são fontes poderosas para as próximas gerações.

A língua nativa do povo Tupinikim corria o risco de não ser mais falada por causa da perseguição aos indígenas. O audiovisual entrou em cena e se juntou a inúmeras outras ações para que o idioma Tupinakyîa continuasse a viver. 

O cineasta Tkaûê busca resgatar a cultura do povo Tupinikim, com registros de contos e lendas transmitidos pelos anciãos e as lutas que enfrentam até hoje, entre elas, a defesa da língua. Nativo da aldeia Comboios, Tkaûê iniciou sua carreira no cinema participando do filme “O Enorme Gavião” (2012), baseado em uma lenda antiga. Lançou em 2015 seu primeiro longa-metragem “As Faces do Coração”, exibido na própria aldeia e escolas indígenas. Seu segundo longa se chama “Bravura e Coração”, lançado em 2021. E seu mais recente filme é um curta-metragem, “Panama”, falado no Tupi Antigo e legendado em português, algo inédito. As cenas foram gravadas em meio à restinga, na Reserva Biológica de Comboios.

Em “Panama” os atores começaram a reaprender a língua Tupinakyîa ao mesmo tempo em que ocorreram as gravações. “Digo que o Tupinakyîa está sendo ressuscitado. E o cinema é uma ferramenta promissora para isso. Os filmes não podem fazer tudo pela revitalização da língua, mas, somados a músicas, danças e a uma boa leitura original produzidas por nós, é algo poderoso”, destaca Tkaûê. 

Apesar das inúmeras produções que retratam os povos tradicionais, o audiovisual feito por quem vive o que filma, captam vida, natureza e lutas socioambientais com olhar interno e genuíno. Narrativas que se formam em contextos locais são capazes de oferecer perspectivas revolucionárias por nascerem da experiência vivida, não do olhar externo, e assim provocar pequenas revoluções cinematográficas, capazes de transformam realidades. 

“Ainda que algumas pessoas venham à nossa comunidade fazer pesquisas e trabalhos, o nosso povo precisa estar como protagonista. A gente precisa difundir o que a gente é, porque precisamos transmitir para as pessoas quem somos de fato. Há, ainda, uma ideia equivocada sobre o que somos. O olhar crítico deve ser construtivo, e, para isso, precisamos mostrar quem nós somos”, afirmou Tkaûê.