Ecoansiedade

Por: Aline Dias

Imagine só… daqui a dois anos não tem mais água corrente, seu chuveiro tem que ser racionado, você toma menos água, menos banho, tudo está mais seco como no filme da Sandy (Acquária*). E se não tiver também comida direito porque esquentou demais e nada nasce. E também pode ser que seu nariz cheio de rinite e sinusite não sobreviva a mais poluição. Se alguma dessas hipóteses (ou outra ideia de fim do mundo envolvendo catástrofe climática) já passou pela sua cabeça, saiba que isso tem nome: ecoansiedade.

Ecoansiedade é a sensação de ansiedade permanente diante das mudanças climáticas e da profusão de desastres. A American Psychology Association (APA) descreve o fenômeno como “o medo crônico de sofrer um cataclismo ambiental que ocorre ao observar o impacto, aparentemente irrevogável, das mudanças climáticas gerando uma preocupação associada ao futuro de si mesmo e das gerações futuras”.

Embora ainda não seja considerada uma doença, a ecoansiedade já é uma questão para a APA. Ou seja, o povo da psicologia está de olho nos efeitos da crise climática em nossa mente. Aparentemente, os cientistas estão mais atentos do que muitos políticos.

Aliás, esse nome “crise climática” faz parecer tudo um tanto mais distante do que efetivamente é. No dicionário, crise significa episódio traumático, mas a devastação da natureza já vem sendo denunciada pelo menos desde a Eco 92, que foi em 1992. Lá os cientistas já estavam falando que cuidar da natureza era fundamental para evitar um colapso do planeta.

Providências práticas não estão sendo tomadas na medida em que deveriam, mas o medo fica, e o cinema ajuda. De vez em quando chega um extraterrestre, um monstro, um foguete, um meteoro… alguém realmente episódico que acaba com o mundo em uma tacada só. Mas existe algum galã ou uma mocinha corajosa pronto para nos salvar nos filmes.

Só que a realidade não é momentânea, nem a catástrofe é um episódio. Para se ter uma ideia, segundo uma pesquisa publicada este ano pela empresa de dados Nexus, 25% dos brasileiros já viveram ou conhecem alguém afetado por uma tragédia ambiental. A mesma pesquisa aponta que 82% da população já fizeram alguma ação para ajudar vítimas de desastres, sendo que 21% atuaram como voluntários.

A Nexus entrevistou, face a face, 2.013 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 unidades da Federação entre 29 de abril e 5 de maio de 2025. Os dados ainda dizem que as pessoas preferem apoiar financeiramente as coisas que acontecem mais perto, como uma chuva na cidade vizinha, um desastre geograficamente próximo. 

E uma coisa que corrobora com a ecoansiedade: 50% dos brasileiros não sabem onde buscar informações em caso de desastre. Ou seja: metade das pessoas não sabe onde procurar informação e um quarto das pessoas já viveu um desastre ou viu alguém viver.

Pôster vertical do filme brasileiro "Acquaria" dividido em três faixas fotográficas horizontais: paisagem desértica com estrada de terra e postes sob texto "QUANDO ABRIR OS OLHOS, O QUE VAI IMPORTAR?"; close intimista de Sandy e Junior, personagens principais do filme, em ambiente interno com iluminação suave; e cena noturna com luzes desfocadas esverdeadas. Logo prateado tridimensional "ACQUARIA" centralizado remete à liquidez através do tratamento gráfico metalizado. Base apresenta faixa com miniaturas de cenas do filme, extenso bloco de créditos em texto branco sobre fundo escuro, e logos de produtoras.

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Nossos entrevistados concordam que a arte pode ser um lugar de inspiração e transcendência. Mas conversamos com as curadoras do Cine.Ema pra entender um pouco mais sobre o papel do cinema ambiental nessa questão da ecoansiedade e da criação de futuros. 

A curadora Solange Alboreda é uma estudiosa do cinema ambiental e tem uma visão um tanto crítica sobre o assunto. “A arte salva, inspira e transforma, mas a maioria das produções ambientais eram (e ainda são) denunciatórias, informativas. Importantíssimas, mas angustiantes e, de certa forma, paralisantes e desanimadoras. Denúncias de estragos em andamento ou já finalizados”. 

Ela acrescenta que “mesmo as informações de suma importância que deveriam ser exibidas largamente para alcançar a todos, ficam restritas aos festivais e aos filmes inacessíveis. Inclusive os que são liberados em plataformas como o Youtube são, muitas vezes, difíceis de serem encontrados e ficam perdidos no mar da internet”, ressalta.

Já a produtora do Cine.Ema Melina Galante, observando os acessos das crianças ao cinema ambiental durante os eventos, tem uma visão esperançosa. Acompanhando as mostras do Cine.Ema, ela percebe o efeito do primeiro contato com filmes nas crianças.

“A arte salva, inspira e transforma, mas a maioria das produções ambientais eram (e ainda são) denunciatórias, informativas. Importantíssimas, mas angustiantes e, de certa forma, paralisantes e desanimadoras.”

“Gera empolgação, curiosidade ou até rechaço, o que é super normal. Inclusive, nos bate-papos após as sessões, eu costumo falar que tá tudo bem não gostar dos filmes. Esse é um efeito que a gente percebe durante a sessão. Gostando ou não gostando dos filmes – e eu costumo perguntar por que não gostaram -, eles costumam colocar suas impressões e acredito que até as reações negativas aos filmes são um tipo de impacto e de atravessamento”, pondera. 

Ela ainda acredita que nas crianças os filmes vão reverberar por muito tempo. “Vai ser sentido mais no dia a dia, entre amigos, família e escola. Desse efeito a gente não tem muito controle, mas ele existe. Porque é muito raro não ser afetado, não ser atravessado”, sentencia.

Melina concorda com Solange que os filmes não são tão esperançosos sempre, mas lembra que em eras de dificuldade de concentração, cada criança que se concentra por mais de dez minutos já é uma vitória. 

“Eu falo em atravessamento, em ser afetado justamente pensando na criação de repertório para as crianças e para os adolescentes. A gente vive um momento do tiktok, do reels. Fazer uma criança parar pra assistir a um filme de 10 minutos e ter atenção dela por esses 10 minutos é uma vitória! E, por mais que seja difícil reter a atenção delas, se numa turma de 30 eu conseguir atravessar cinco, é outra vitória! Mas todos vão reter algo, sabe? Por menor que seja esse algo, eles, tendo acesso a um outro tipo de cinema, vão ampliar o repertório”, comemora.

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Sim, a gente passou três páginas falando de catástrofes, filmes de denúncia e o medo das catástrofes. Mas se a gente busca uma resposta de futuro melhor, ela certamente vai passar pela criatividade e pela desaceleração. 

“Eu tenho saudade da forma como a gente usava o tempo, a gente entrou numa velocidade que eu não sei a quem serve”, pondera o diretor do Museu do Amanhã, Fabio Scarano, enfatizando que a correria em que vivemos atualmente desconecta as pessoas da natureza, dos sonhos, da presença em si e até dos próprios desejos.

Scarano é um cientista que, com a equipe da Cátedra Unesco que coordena, já aplicou laboratórios de alfabetização de futuros para mais de mil pessoas no Brasil e exterior. “Laboratórios de alfabetização em futuros são ferramentas voltadas para ampliar a imaginação das pessoas” explica Scarano. Ele conta que a Unesco entende que ser alfabetizado em futuros é uma importante capacidade no século XXI, já que o presente, de uma certa maneira, tem colonizado o nosso futuro. Em outras palavras, temos dificuldades em imaginar futuros diferentes do presente. 

Fabio Scarano. Retrato fotográfico horizontal com iluminação cinematográfica mostrando homem branco de meia-idade em pose pensativa, mão delicadamente apoiada no rosto. Veste blusa azul e casaco preto, com cabelos castanhos e crancos, expressão serena e introspectiva, olhar direto estabelecendo conexão com o observador. Fundo artisticamente desfocado, apresenta padrão de quadrados coloridos (verde, azul, dourado, roxo) criando efeito bokeh que isola o sujeito.

No Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, Scarano aplica métodos para estimular a criatividade. “O que a gente tem constatado é que muitas pessoas, nas nossas formações, têm tido uma certa dificuldade em imaginar futuros desejáveis. Desejos são importantes bússolas e são pré-requisito para a ação transformadora”. 

Pois é, se a gente não deseja e não se percebe, não tem como imaginar futuros mais desejáveis. “Quando o automático se instala, o espírito se retira… essa velocidade da vida contemporânea impõe uma ação automática das pessoas”, enfatiza Fábio Scarano.

A forma de a gente lidar com o futuro, que é algo que nesse exato instante só existe na nossa imaginação, se dá através de um processo chamado antecipação. Antecipamos o tempo todo, desde um planejamento de tarefas para o dia até as férias que a gente vai tirar, passando por grandes escolhas de vida… Antecipar bem é adaptativo. “Se a gente tem pouca memória e baixa atenção, a resultante é que a gente antecipa mal”, diz Scarano. A Grande Aceleração que se verifica desde a Segunda Guerra Mundial impôs uma velocidade tal sobre a vida que reduz a nossa atenção ao mundo que nos cerca. Igualmente, Scarano lembra que esquecemos muitos conhecimentos tradicionais do mundo e até mesmo dos nossos ancestrais diretos.

Ele continua: “Como disse Clarice Lispector, somos “seres concomitantes” – somos passado, presente e futuro ao mesmo tempo. Enquanto estamos atentos à nossa conversa, ativamos a nossa memória, e já antecipamos o texto que você irá gerar a partir disso”.

O cientista lembra que a crise climática é fato científico há mais de 40 anos, mas a sociedade segue anualmente quebrando recordes de emissão de gases de efeito estufa. Um grande episódio pandêmico foi previsto oito anos antes da pandemia de covid-19 se propagar. “É como se a gente entendesse que o pior iria acontecer, mas não com a gente. A desconexão entre entender e agir tem a ver com uma incapacidade de sentir. Esta, por sua vez, tem a ver com o fato de termos nos desconectado da natureza. Acho que o cinema tem o potencial de ajudar a promover essa reconexão. A arte muitas vezes traduz a voz da natureza”, ressalta.

“Tem um componente racional da antecipação, como no caso dessas projeções que a ciência faz: a previsão do clima, as projeções do mercado financeiro, etc.”, exemplifica. Mas não para aí, já que há também um campo mais intuitivo da antecipação. “Por exemplo, digamos que você queira chegar ao trabalho às 9 horas, saindo de casa de ônibus. Você olha a previsão do tempo que diz que não vai chover. Você decide sair de casa às 8h. Aí você chega na rua, bate um vento ou você vê formigas agitadas, alguma coisa te diz que vai chover. Essa coisa é a intuição, o instinto, o pressentimento, que têm muito a ver com a memória e a atenção”. A gente precisa respeitar a nossa intuição e nosso instinto para antecipar melhor.

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Scarano acha que sonhar tem um valor prático. “Até para sonhar – dormindo ou em vigília – a gente precisa de preparo. Uma hora antes de você dormir, convém se afastar das telas, evitar comer ou beber muito. Hoje em dia são muitas as pessoas que falam que não sonham mais. Já vários povos originários do Brasil usam o sonho como forma de antecipar futuros e tomar decisões. Dormir bem é um importante alimento pra imaginação”. 

Como nos deslocamos, o que e como consumimos, como lidamos com as múltiplas mídias que nos invadem, etc. E, claro, dedicar tempo para irmos ao cinema, para lermos um bom livro, e assim por diante. “São atos que criam um outro ritmo”, avisa Fabio Scarano.

Agora, quando a gente fala sobre empatia, não é só se colocar no lugar de outros seres humanos, mas perceber toda a natureza como viva. “Às vezes a gente olha para o mundo que nos cerca e vê como paisagem. Plantas, bichos e pessoas são corpos vivos e precisamos nos lembrar disso. Esse outro olhar é um exercício cotidiano que gera empatia. Cada árvore, cada bicho, cada pessoa, são seres vivos! Percebê-los como irmãs e irmãos nossos muda a nossa atitude para com o mundo”, lembra.

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A ilustração apresenta um papagaio pirata antropomórfico em estilo cartoon, numa espécie de paródia do personagem Jack Sparrow, do filme Piratas do Caribe. O personagem tem plumagem verde na cabeça e pescoço, peito vermelho com padrão em zigue-zague, e asas azuis. Usa um chapéu de pirata preto tradicional decorado com uma caveira rosa e ossos cruzados. O papagaio está sentado em uma cadeira de diretor de cinema preta com o nome "ATOR" escrito no encosto, e ao seu lado há um microfone vintage dourado com detalhes vermelhos.

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Os filmes foram selecionados pela doutora em comunicação e semiótica Solange Alboreda, que é ex-programadora sociocultural do SescTV, agente cultural e curadora do Cine.Ema.

Ela fez essa seleção a pedido da revista Cine.Ema, pensando em “ficções onde o artista é capaz de nos instigar e, também, as comédias, no que nós brasileiros somos imbatíveis”.

Obs.: A disponibilidade nos streamings pode mudar, então vale checar plataformas como JustWatch ou Reelgood para atualizações. Alguns filmes podem ser encontrados em Canais de TV por assinatura ou locadoras digitais (Google Play, iTunes).

Imagem horizontal apresentando três pôsteres da "Trilogia Qatsi": à esquerda, "Koyaanisqatsi" com lua cheia sobre paisagem urbana noturna em tons azul-escuros; ao centro, "Powaqqatsi" com paleta amarelada mostrando uma criança observando em paisagem desértica ao pôr do sol; à direita, "Naqoyqatsi" dividido entre texto promocional superior e boneco sobre fundo escuro, com título vermelho. A composição lado a lado evidencia a progressão visual e temática da trilogia cinematográfica.

Trilogia Qatsi: Koyaanisqatsi (1983), Powaqqatsi (1988) e Naqoyqtsi (2002)
Direção: Godfrey Reggio. Onde Assistir: Prime Video. Os filmes são considerados por nossa curadora como clássicos do pensamento ambiental e mostram diferentes aspectos das relações entre humanos, natureza e tecnologia. Koyaanisqatsi é o mais conhecido dos três e é considerado um filme cult.

Cartaz do filme Saneamento básico, com fundo bege apresentando oito atores dispostos em duas fileiras sobre padrão de faixas horizontais coloridas (azul, vermelho, rosa, verde, azul claro e amarelo). Nomes manuscritos em azul identificam Fernanda Torres, Wagner Moura, Camila Pitanga, Lázaro Ramos, Bruno Garcia, Tonico Pereira, Paulo José e Janaína Kremer, todos com figurinos contrastantes e expressões que sugerem comédia. Título em três cores (azul ciano, magenta, verde) destaca-se abaixo da foto, seguido de crédito "Roteiro e direção de Jorge Furtado" e extenso bloco de créditos técnicos.

Saneamento Básico (2007)
Direção: Jorge Furtado. Onde Assistir: YouTube (aluguel), Apple TV. Comédia sobre moradores de um vilarejo que precisam produzir um filme para conseguir verba para saneamento básico, satirizando a burocracia brasileira.

Fotografia cinematográfica horizontal em preto e branco mostrando homem maduro de chapéu, casaco e gravata ao lado de mulher jovem de cabelos escuros com franja reta, vestindo blusa preta com gola branca estilo Peter Pan. Ele mantém olhar sério e direto enquanto ela está em perfil com mão na boca, fazendo sinal de silêncio, ambos sentados lado a lado em mesa com superfície reflexiva.

Alphaville (1965)
Direção: Jean-Luc Godard. Onde Assistir: MUBI (rotativo), Apple TV (aluguel). Misturando ficção científica e noir, o filme critica sociedades controladas por inteligência artificial e a perda da humanidade em sistemas totalitários.

Pôster do documentário "Piripkura: The Last Two Survivors" mostrando floresta amazônica exuberante em tons vibrantes de verde, com dois homens indígenas de torso nu e cabelos longos pretos fotografados de costas imersos na vegetação densa. Título em letras douradas/alaranjadas bold domina o terço superior, acima de faixa com cinco lauréis de festivais reconhecendo premiações internacionais.

Piripkura (2018)
Direção:
Mariana Oliva, Renata Terra, Bruno Jorge. Onde Assistir: Globoplay. Documentário sobre os últimos dois membros do povo Piripkura, isolados na Amazônia, e a luta de um sertanista para protegê-los do avanço do desmatamento.

Cartaz do anime "Princesse Mononoké" do Studio Ghibli. Ilustração mostrando jovem guerreira de cabelos castanhos com marcas tribais vermelhas no rosto, vestindo túnica bege/amarela com capa de pele branca e colar de presas, segurando adaga. Atrás dela, uma imagem de cabeça de lobo em tons azuis com olhos verdes domina o fundo, enquanto pequeno espírito kodama branco com olhos vermelhos aparece no canto inferior esquerdo.

A Princesa Mononoke (1997)
Direção:
Hayao Miyazaki. Onde Assistir: Netflix. Um príncipe amaldiçoado se envolve na luta entre os deuses da floresta e os humanos que exploram seus recursos, em uma alegoria ecológica e espiritual.

Pôster do filme "Bye Bye Brazil". Ilustração vibrante estilo cartaz circense com título em tipografia cursiva amarela e blocada verde sobre fundo tropical verde-amarelado, emoldurado por palmeiras e arara multicolorida. Composição central mostra uma mulher e um homem em trajes de performance (ela de vermelho sensual, ele de branco com capa azul e chapeu na cabeça., segurando uma varinha branca). Ao centro, cenário sugere local festivo com um sanfoneiro e um homem de cueca amarela.

Bye Bye Brasil (1979)
Direção: Cacá Diegues. Onde Assistir: Canais Globo (eventualmente), Apple TV (aluguel). Uma trupe de artistas itinerantes percorre o Brasil em meio à abertura da Transamazônica, testemunhando queimadas, desmatamento e o deslocamento de indígenas.

Pôster em preto e branco do documentário "Iracema: uma transa amazônica" (1976) apresentando retrato fotográfico documental de mulher jovem indígena/cabocla amazônica de cabelos escuros volumosos e blusa clara, sem mangas, com expressão serena mas melancólica e olhar direto vulnerável. Fundo desfocado.

Iracema, uma Transa Amazônica (1975)
Direção:
Jorge Bodanzky e Orlando Senna.
Onde Assistir: YouTube (versão completa), Canais culturais (eventualmente). Filme-verdade que acompanha uma jovem indígena e um caminhoneiro na rodovia Transamazônica, expondo a exploração da floresta e seus povos.

O Expresso do Amanhã (2013)
Direção:
Bong Joon-ho. Onde Assistir: Netflix. Em um futuro congelado, os últimos humanos sobrevivem em um trem em movimento perpétuo, onde uma revolução de classes se desenrola em seus vagões.